30.11.02

Meu nome é Alessandra Venansi. Nasci em São Paulo e tenho 25 anos. Sou atriz e também faço trabalhos como modelo. Sempre me considerei uma pessoa eclética. Gosto de tudo e acredito que todo conhecimento do mundo está nos livros. Às vezes, penso em ir morar na praia, ter uma qualidade de vida melhor. Imagine São Paulo como vai estar daqui a dez anos!
"Eu uso muito Piaget. Quando não dá certo, eu parto para o Pinochet." (Sergio, síndico)

(e o Tiago Teixeira disse o que faltava dizer)
Ainda? Ainda.
Apesar do abrangente clima de harmonia que se observou recentemente por aqui, Henrique Goldman voltou a acender o pavio da rivalidade cariocas x paulistas quando abriu a guarda em notável artigo (destaque para o trecho em que ele afirma: "Carioca tem menos caspa, aftas e hemorróidas"). A repercussão está ecoando até agora...
Isto é Ram:
Disclaimer: take messages seriously at your own risk. Public upheaval, complaints, bitter feelings and lack of therof are not responsibility of the author. Copyright remains at the right, because in the left we would copy wrong. Or maybe not. Or maybe yes. Don't cope with copying, or I will sue your capitalist ass off.
O melhor foi quando eu me toquei que estava há apenas dois graus de separação do Hugo Pratt!

29.11.02

Apesar de ser o criador da Ararajuba da Petrobras e do mascote do Elefante, nem sempre o nome Cesar Lobo é devidamente lembrado. Vários trabalhos de seu aerógrafo mágico, inclusive capas para revistas de terror dos anos 70 e 80, estão digitalizados em sua página.
Uma vez um amigo chegou na rodinha de papo antes da aula com um auto-retrato do Cesar Lobo estampado na camiseta e elogiei. A resposta: "Pô, Cesar Lobo é meu tio!"
Ruavista: para te ajudar a decifrar a cidade e torná-la sua.
Como Nossos Pais - Belchior

Não quero lhe falar, meu grande amor
Das coisas que aprendi nos discos
Quero lhe contar como eu vivi e tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
E eu sei que o amor é uma coisa boa
Mas também sei que qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa

Por isso cuidado, meu bem, há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal está fechado pra nós que somos jovens
Para abraçar seu irmão e beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço, o seu lábio e a sua voz
Você me pergunta pela minha paixão
Digo que estou encantado como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade, não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento o cheiro da nova nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva do meu coração
Já faz tempo eu vi você na rua cabelo ao vento gente jovem reunida
Na parede da memória essa lembrança é o quadro que dói mais
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo que fizemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Como nossos pais

Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não se enganam, não
Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer que tou por fora ou então que tou inventando
Mas é você que ama o passado é que não vê
É você que ama o passado é que não vê
Que o novo sempre vem
Hoje eu sei que quem deu me deu a idéia de uma nova consciência e juventude
Está em casa guardado por Deus contando vil metal
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo tudo o que fizemos
Nós ainda somos os mesmos e vivemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Como os nossos pais

28.11.02

Hype é que nem brincadeira: tem sua hora
Sabe aquela homepage velha, mas velha da época em que se fazia página no Geocities porque era de graça, que você fez quando estava aprendendo HtMl? E que na falta de algo melhor você resolveu falar sobre os gibis de que gostava? E que teve saco e tempo para atualizar durante dois anos, paulatinamente deixando de lado quando eles escassearam? E que de lá para cá manteve uma atitude olímpica em relação às insistentes reclamações dos 3 amigos e parentes que ainda visitavam e cobravam mudança de lay out, uso de frames, java? Mas que também não desejava tirar do ar um pouco por nostalgia, um pouco por causa dos emails agradecendo a ajuda em algum trabalho escolar, um pouco por não ter vergonha suficiente? Pois é, se apesar disso você manteve no ar aquela homepage esse tempo todo, um belo dia você pode descobrir, para sua surpresa, ela encabeçando a lista do Memepool sobre quadrinhos.

(ver a primeira entrada do dia 26 de novembro)
Pensando numa pós em Stanford? Leia sobre as agruras da vida acadêmica -- em quadrinhos!
Os organizadores da RioParade continuam dando como certo o percurso pela praia. Depois de desfilarem alguns frequentadores podem narrar como foram seus MDMA test drives.
Caranguejo enfim reabriu, trazendo alívio para um quebra-quebra que se estendeu preocupantemente -- vai acabar? Devem ter dado um jeito naquele arremedo de W.C., e, como de hábito (já vi esse antes), os azulejos deixaram-no com uma imagem mais limpa do que eméritos frequentadores de botequim prezam. Mas não há de ser nada, se a calderada continuar vindo com aquela extravagância de frutos do mar e, isso eu já espiei, os risoles de camarão resistirem na vitrine do balcão.
Defendi, uma vez, numa discussão com um amigo que o maitre era parecido com o Kissinger, enquanto ele achava mais parecido com o Xá Rezha Pavlevi.
Fazendo a ronda
1) Elesbão, repaginado para o novo milênio.

2) Nemo Nox começou um diário visual, o barato é adivinhar para onde cada imagem te remete: PictoBlog.

3) Leo Caldi tem um traço que me lembra extraordinariamente o melhor Jaime Hernandez, de Love & Rockets.

4) Daniel Sansão dá uma aula de economia doméstica aplicada a combustíveis.
Father & Son - Cat Stevens

It's not time to make a change
Just relax, take it easy
You're still young, that's your fault
There's so much you have to know
Find a girl, settle down
If you want you can marry
Look at me, I am old but I'm happy

I was once like you are now
And I know that it's not easy
To be calm when you've found something going on
But take your time, think a lot
Think of everything you've got
For you will still be here tomorrow
But your dreams may not

How can I try to explain
When I do he turns away again
And it's always been the same, same old story
From the moment I could talk
I was ordered to listen
Now there's a way and I know
That I have to go away
I know I have to go

It's not time to make a change
Just sit down and take it slowly
You're still young that's your fault
There's so much you have to go through
Find a girl, settle down
If you want you can marry
Look at me, I am old but I'm happy

All the times that I've cried
Keeping all the things I know inside
And it's hard, but it's harder to ignore It
If they were right I'd agree
But it's them they know not me
Now there's a way and I know
That I have to go away
I know I have to go

27.11.02

Hugo Bidê, para quem não sabe
Como o Alexandre Soares Silva andou criando caso contra o excesso de reportagens sobre o Hugo Bidê, o qual alguns de seus leitores nem mesmo conheciam, resolvi pegar a deixa para recontar aqui uma de suas mais gaudérias histórias.

(Antes porém, o apelido: o que se sabe é que Hugo deu uma feijoada em casa e, na falta de uma caçarola de barro, serviu-a aos convidados num bidê -- um bidê virgem, recém-deslacrado, mas que nem por isso deixava de ser bidê, e a partir daquele dia também não deixou de fazer parte de seu sobrenome.)

Hugo, portanto, Bidê tinha por companhia não-humana de um humano(*) um ratinho branco, tipo cobaia de laboratório, que carregava no bolso ou no ombro para passear, cujo nome era Ivan Lessa, tratado como um igual por todos os companheiros de copo, até por ser mais um de seus pares -- Ivan bebia Genebra embebida em miolo de pão. Numa noite qualquer, a turma -- que muda de relato para relato, todos narrados por Jaguar, talvez o único sobrevivente -- ficou enchendo a cara no Jangadeiro até o bar fechar. Depois foi tomar a penúltima no apartamento do Hugo Bidê, que ficava ali perto. O rato ficou zanzando no parapeito, até que pluft!, caiu pela janela. Alguém notou e a mesa saiu em desabalada a carreira até o térreo, resgataram o roedor e levaram, em prantos e às pressas ao Hospital Miguel Couto. Chegando lá, nenhum médico quis atender-lhes. Com razão, aliás. Não se deram por vencidos e saíram na porrada com os homens de branco, acabando por encontrar o rato morto na confusão.

(Hugo Bidet inspirou a Jaguar a criação do personagem BD na tira dos Chopniks, enquanto Ivan Lessa virou Sig, o Mickey Mouse do Pasquim. Algumas tiras dos Chopniks tinham argumento do Ivan Lessa, o outro, o escritor, que não as assinava por vergonha de escrever quadrinhos. Mas isso é outra história).

(*) Adoro o termo politicamente correto para animal de estimação...
Quem o conhece das redações de jornais e revistas sabe que Gaspari escreve em velocidade prodigiosa, como se, em vez de procurar palavras, afastasse as palavras do caminho das idéias. (Marcos Sá Correa sobre Elio Gaspari)
Working Man - Rush

I get up at seven, yeah
And I go to work at nine
I got no time for livin'
Yes, I'm workin' all the time

It seems to me
I could live my life
A lot better than I think I am
I guess that's why they call me
They call me the workin' man

They call me the workin' man
I guess that's what I am

I get home at five o'clock
And I take myself out a nice, cold beer
Always seem to be wond'rin'
Why there's nothin' goin' down here

It seems to me
I could live my life
A lot better than I think I am
I guess that's why they call me
They call me the workin' man

They call me the workin' man
I guess that's what I am

Well they call me the workin' man
I guess that's what I am

26.11.02

Faz tempo que eu não volto no Paço Imperial, e ainda preciso conhecer a Casa das Canoas; mas terça é noite de choro no Bip-Bip.
(Guarde tempo para explorar com cuidado a excelente página do Paço Imperial)
Eu acredito que todo mundo tem a liberdade de escolher o que veio fazer da vida... Eu escolhi ser livre até que eu escolhi o mundo das histórias em quadrinhos.
(Hugo Pratt)
Ivan Lessa, fumante por 50 anos(!), para quem "Internet deveria ser de graça, feito passarinho", parou há um e dá seu testemunho.

25.11.02

Kazi continua me atribuindo aquela frase, mesmo depois deu já ter esclarecido que ouvi do Marcelo Yuka numa entrevista do Rappa ao Jô Soares, há alguns anos. Isso quando o Yuka ainda não tinha sido baleado, o Jô Soares fazia entrevistas e, pasme-se, eram boas!
Little Nemo in Slumberland
Deslumbrante.
Winsor McCay era um gênio, daqueles à vante de seu tempo. Incrível como ele tirou do papel animações como Gertie the Dinosaur e How a Mosquito Operates.
A angústia da influência
Acho que a opção liberal-conservadora apontada se deve mais em decorrência da aparição de um Olavo de Carvalho do que da leitura de um Paulo Francis, tal como exposto no mesmo fórum pelo Martim Vasquez. Sobretudo, há que se ponderar a importância de Paulo Francis na gestação de escritores durante a adolescência, período pródigo na sobrevalorização de lixo. Ainda que o Paulo Francis fase Diário da Corte seja maciçamente indicado como influência pelos seus colecionadores de recortes, a mera comparação do que ele legou para a posteridade, antes e depois do que seus desafetos costumam marcar como a mudança de lado, que ocorreu ali pela segunda metade dos anos 70, é suficiente para determinar a diferença qualitativa e quantitativa do que ele escreveu. A saber, antes: Opinião Pessoal (1966), Certezas da Dúvida (1970), Nixon x McGovern (1972), Paulo Francis Nu e Cru (1976) e Paulo Francis – Uma Coletânea de Seus Melhores Textos Já Publicados (1978); O Afeto que se Encerra (1980) pode ser considerado o divisor de águas, e depois: Trinta Anos Esta Noite (1994) e Waaaall -- O Dicionário da Corte (1996).
Siniiiiistro
Alexandre Soares Silva observa a proliferação dos filhos de Francis, em fenômeno já anunciado por Evandro Ferreira. No comentário # 69 do fórum que segue sob o artigo, cita este maldigitado como raro exemplo de blog "inteligente" e "de esquerda".
Menos, Alexandre, menos. Ali do lado tem um leque de cartas inteiro ao seu dispor, onde esse diário é apenas mais um 2 de paus. E não implique daquele jeito com o Hugo Bidê. Paulo Francis não gostaria.

22.11.02

Também não gosto de páginas que entram rachando com músicas em midi ao fundo, mas tive uma grata surpresa quando esta aqui acabou de carregar. Ainda que sempre tivessem chamado a atenção, nunca me dei ao trabalho de saber mais sobre aquelas musiquinhas, sempre um jazzinho bem embalado, que rolavam ao fundo dos desenhos da turma do Charlie Brown, mas aquela página me fez ir além do animador -- Bill Melendez -- até o compositor: Vince Guaraldi. É do tipo que eu consigo ouvir quase indefinidamente, ótima para embalar qualquer outra ocupação que se esteja fazendo. Tem às pampas nesses programas peer-to-peer.
"E o que você sabe fazer?", perguntou-lhe Irineu Marinho, na ocasião. "Tudo", respondeu o Barão de Itararé "desde ser contínuo, até dirigir o jornal", sendo contratado em seguida.
Ícaro
FanWing: eu devia ter prestado mais atenção naquelas aulas de Mecânica dos Fluidos.
Mais brinquedo de nerd que isso, só as empolgantes asas de combate, que têm sido vistas em ação praticamente todo final de semana, de manhã, em frente ao MAC de Niterói.
Não me digam
A duração do uso diário de terminais de computador está diretamente relacionada com a ocorrência de sintomas físicos, e indiretamente com a ocorrência de sintomas mentais e relacionados ao sono, a partir de 5 ou mais horas de uso diárias.

Essa é a conclusão de um estudo feito por pesquisadores japoneses e publicado na edição de outubro do American Journal of Industrial Medicine, segundo a qual as pessoas "que trabalham muito tempo em frente a um computador apresentam maiores problemas de cansaço físico e mental, e também mais sono. Os profissionais que passam mais de cinco horas por dias colados na tela de seus computadores, diz o estudo, são os que mais se queixam de letargia, ansiedade e da síndrome da relutância de ir trabalhar, e também de fadiga e dificuldades para dormir."

Quando é que esses cientistas vão concluir de uma vez por todas que trabalhar faz mal à saúde?

21.11.02

Um guia passo a passo de como fazer uma tira em quadrinhos, incluindo materiais, pelo pessoal da Mirage Studios.
Terminologia
Ensaio sensual é quando a mulher mostra tudo menos os mamilos e os pelos pubianos. Quando mostra, aí é ensaio artístico.
Schulz trocadilhista & físico
Além da poesia, singeleza e filosofia embutidas nas tiras, um dos motivos que faz de Charles M. Schulz um dos melhores quadrinhistas de todos os tempos é seu hábil manejo da língua inglesa na criação das besteiras que a Sally fala na sala de aula. Isso me lembra Monthy Python, irmãos Marx (particularmente o Chico), escolinha do professor Raimundo (o Baltasar da Rocha, interpretado pelo Walter D'Ávila), alguma coisa do Ivan Lessa (ou do Woody Allen), a falsa cultura de Vão Gogo, enfim, humor mezzo surreal mezzo infantil baseado na arte do trocadilho (as citações vão no original, requer-se bom ouvido):

"Abraham Lincoln was our sixteenth king, and the father of Lot's wife."
"It's timely...haven't you heard? This is the age of Aquariums." (justificando a compra de um aquário, em tira de novembro de 1970)
"Two times two is tooty-two; three times three is threety-three; four times four is four-forty-four."
"I have to do a paper on Ken and Abel. I've been looking all through the Old Testament, and I've found Abel, but I can't find Ken. Do you think maybe I'm using the wrong translation?"
"I'm writing a story about some cave men. They're sitting around a campfire, see, when all of a sudden they're attacked by a huge thesaurus!"
"This report is on melons. Melons have to be planted between May 15th and June 5th. I don't know what you
do if you happen to be out of town."
"The largest dinosaur that ever lived was the Bronchitis. It soon became extinct...it coughed a lot."
"Ten milligrams equals one centigram...ten decigrams equals one gram...ten grams equals one grampa."
"Ancient Greece was ahead of its time, and before our time. They had no TV, but they had lots of philosophers. I, personally, would not want to sit all evening watching a philosopher."
"Some people are right-handed...some people are left-handed...some people are able to use both hands with
equal ease. Such people are called handbidextrous."
"Literature quiz: When did Mark Twain write 'Tom Sawyer'? If I know him, probably in the evenings."
"You know where King David wrote his psalms? Under a psalm tree!"
"This is my report on Halley's Comma. It's a very famous comma -- he probably wrote home a lot."
"There are seven continents: Africa, Asia, Australia, Europe, North America, South America, and
Aunt Arctica."
"Britain was invaded in the year 43 by Roman Numerals."
"Life in the village was peaceful, until the volcano interrupted."

A lista completa dos Sally's malapropisms pode ser encontrada no item 4.18 do Peanuts F.A.Q. Melhor que esse, talvez, só o 4.26, que lista como se comportam as leis da física dentro da tira, com coisas assim:

- Um corpo, quando atingido, gira 360 graus ou mais em torno de um eixo horizontal.
- A certa altura acima do solo, a pressão do ar cresce a ponto de que uma pipa pode facilmente levantar uma criança.
- Todos os seres humanos acima dos 9 anos são invisíveis
.
Biografados
Uma biografia a sair esses dias que merece uma conferida é a de Nair de Teffé, ex-primeira dama e uma figura deveras interessante da primeira república. Só o fato dela ter se casado com um Marechal com o dobro de sua idade, ser uma das primeiras caricaturistas e da roda de Chiquinha Gonzaga e Catulo da Paixão já gera enredo para mini-série na Globo, mas dá para se deliciar em imaginá-la convidando a corte para escutar um maxixe -- e não uma modinha européia, executada não no solene piano de cauda -- num prosaico violão de 6 cordas, com o singelo nome de Corta-Jaca.
Meu avô vivia me falando de uma charge brilhante, feita não sei por quem nem sei a troco de quê, onde um cara puxava uma vaca (ou seria uma égua) e um dos passantes comentava em trocadilho: "Deixem-na ir", uma mostra de como ela deve ter causado espécie em seu tempo. O demolido cinema Rian, na Avenida Atlântica, onde hoje fica um hotel, surrupiou seu nome do pseudônimo com que Teffé assinava seus desenhos.

Charles Schulz também está com uma biografia em curso que promete.

19.11.02

Às vinte e uma horas e quarenta e cinco minutos do dia dezenove de novembro do ano da graça de dois mil e dois venha a público comunicar solene e mui esfuziantemente que CAIU A FICHA! Perdoem-me o arroubo, mas é que quase dois anos anos e meio de decepção quase derreteram a esperança que ainda havia em mim, e não vai ser por isso que eu vou agora ficar relativizando a alegria, que merecia mesmo aquela expressão de 3 palavras. Sinceramente, essa é motivo de chopp gelado e vela para santo.

18.11.02

Avisos à comunidade
1) Não é só no futebol brasileiro que os jogadores dizem frases históricas, no futebol americano também surgem preciosidades. Michael Vick, quarterback do Atlanta Falcons, revelou o segredo do seu sucesso: "I have two weapons - my legs, my arm and my brains."
É por causa de coisas assim que eu ainda leio Por um Punhado de Pixels.

2) Parabéns pelos primeiros cinco anos!

3) Filipetas, gibis, livros, cartazes, recuerdos: parece que o João Antônio Bührer não está escrevendo, mas esvaziando a gaveta de sua escrivaninha nos escaninhos da Grafolalia. Meus destaques pessoais vão para as notas sobre arte postal e sobre Ken Parker, o melhor western dos quadrinhos.
(cheguei lá através do Blog0news)

4) Patricia atestou e o Danilo Amaral deu fé: o Rio de Janeiro continua sendo. Ao que consta, nenhum dos dois conheceu o Hiro (milagre?). Mas definitivo foi o comentário do Mario AV ao voltar daqui.
E para quem não se farta em ler sobre o Rio de Janeiro, já indiquei aqui e repito: Joel Silveira e Fernando Sabino dão os toques.
A editora Dark Horse Comics é um excelente exemplo de uso da internet como interface e propaganda para seus produtos. Além de oferecer prévias de todos os lançamentos principais, (mantendo as edições anteriores disponíveis para visitação, onde se pode conferir a arte de Paul Chadwick, Al Williamson, Frank Miller, Will Eisner, Mike Mignola, do Lobo Solitário ou da adaptação para quadrinhos do Anel dos Nibelungos por P. Craig Russell), mantém em exposição uma galeria de originais para venda e oferece até serviço de webmail gratuito.

17.11.02

Sabedoria popular da Região dos Lagos
Um Capeta, dois capetas; três, capota.

(o que poderia muito bem ser uma tradução razoável para aquela camiseta:
One tequila
Two tequilas
Three tequilas
Floor
E pensar que tudo isso está a apenas 1h40 do Rio...

14.11.02

A diferença entre alta cultura e baixa cultura
Enquanto Bruxelas tem o Manneken Pis com suas mais de 600 fantasias, St. Paul, em Minnesota, tem centenas de reproduções de Charlie Brown e do Snoopy.
Agradeço a graça alcançada
Ver o Ricky Goodwin levando notas daqui para o Blog0news tem significado particularmente especial para mim por ele ter sido um dos organizadores da 1a. Bienal Hq, evento que descortinou horizontes nunca dantes navegados para minha imaginação e curiosidade. Sem medo de hipérboles, posso dizer que 90% de tudo que eu li ou conheci em quadrinhos de lá pra cá me apresentado naqueles dias; se ficarmos só nos europeus, aí são 100%. Uma dívida de gratidão que aos poucos vinha pagando, aqui e aqui.
No lançamento:
- Você vê se capricha nessa dedicatória senão vou colocar o seu livro entre o do Marcelo Mirisola e o da Fernanda Young na estante!
Alguns trechos da desconcertante entrevista de Madame Satã ao Pasquim:

Millôr - Você tem consciênciade que é uma figura mitológica no Rio de Janeiro?
Satã - É o que diz a sociedade, não é? Só que tem que eu sou anti-social.
Millôr - Você ainda briga hoje, ainda tem energia?
Satã - Brigar eu não brigo porque nunca briguei, mas na minha casa a gente come o que Deus dá e o que faltar Nossa Senhora intera.
Millôr - Você acha que você tem o corpo fechado?
Satã - Bom, eu não tenho o corpo aberto. Se eu tivesse corpo aberto eu estava fedendo. Fechado eu tenho que ter.
Fortuna - Qual é a sua concepção da Lapa hoje?
Satã - Olha, enquanto eu for vivo a Lapa não morrerá.

A entrevista foi feita em 1970. Para um visão da Lapa hoje, aos olhos nativos e aos do visitante, leia o texto da go-gonzo girl Cecília e depois o do Michael Sommers.

13.11.02

Agora não tem por que não ler: Watchmen digitalizado página a página; os dois primeiros capítulos, por enquanto.
"Música não tem pedigree." (do Cris Dias)
Então o papo agora é Madame Satã? Pois vamos tratar de encerrá-lo logo citando a introdução que o Paulo Francis -- ele mesmo, Paulo Francis -- escreveu para a entrevista do Pasquim:

Satã nos impressionou bastante porque é um tipo completamente fora do nosso âmbito de experiência. Todos nós duvidamos de tudo, inclusive de nós mesmos. Convertemos nossos superegos em catedrais em que nos ajoelhamos pedindo perdão a nós mesmos, sem resultado. Satã tem certeza das coisas que faz. (...) Não esconde o jogo. Se aceita como é. Há coisa mais difícil? Pra nós (...) impossível.
Vendo a Gisele Bundchen no reclame televisivo do cartão de crédito, fico pensando comigo mesmo se eu não tenho que concordar com esse cara em gênero, número e grau.

12.11.02

Animalzinho peludo
Recebi o número 283 de Cerebus, o que significa que só faltam 16 edições -- ou seja, por volta de um ano e meio -- para a série encerrar. Um ano e meio que totalizará uma sequência de 300 números ao longo de 27 anos ininterruptos. Quando Dave Sim começou a escrever, desenhar, arte-finalizar e editar seu gibi, não era possível prever tal resistência, menos ainda levar a sério sua promessa de fazer 300 números de história contínua, na qual a vida do personagem principal concluiria, evidentemente com sua morte. É notável como em não mais do que um par de anos um gibi com texto bom e desenhos razoáveis transformou-se num dos melhores exemplos do que se pode fazer com a linguagem da Hq, explorando à exaustão cada elemento: balões, letreiragem, onomatopéias, diálogos, diagramação, provavelmente o que motivou o comentário de que Cerebus é o átomo de Hidrogênio da tabela periódica dos quadrinhos. Na década de 80, Dave Sim tornou-se uma mistura de bastião, padrinho e arauto dos quadrinhos independentes, incentivando novos autores a se auto-editarem -- abriu uma seção, Cerebus Preview, no final da revista para apresentar trabalhos promissores -- e defenderem seus direitos autorais ao invés de irem trabalhar para as grandes editoras, fazendo campanhas em favor do Comic Book Legal Defense Fund e se metendo em querelas com Gary Groth, editor do Comics Journal (Fantagraphics). Embora seu nome não seja tão conhecido quanto Alan Moore ou Frank Miller, pode-se dizer tranquilamente que ele está no mesmo padrão de qualidade deles.
Continuou levando a revista praticamente sozinho (Gherard passou a fazer os fundos e só) década de 90 a dentro, colecionando prêmios, fazendo dinheiro com a venda das encadernações -- tão grossas que são apelidadas de catálogos telefônicos, e sem deixar a qualidade média das histórias cair. o que é mais fantástico era como emanava um sentido maior dos roteiros ao lê-las em sequência, em blocos de centenas de páginas, como se aquilo tudo tivesse sido planejado desde o começo. Você cai dentro das 500 páginas de High Society e se maravilha ao ver que a história do #250 é exatemente o divisor de águas... Pouco antes de encerrar os primeiros 200 números, Sim soltou uma história chocante onde dava vazão à toda sua misoginia, gerando uma onda de hate mail que durou até bem pouco tempo atrás. E olha que sua sessão de cartas já era das uma mais bizarras no mercado. Fãs antigos foram se decepcionando, as vendas decaíram, e, com a virada do milênio, Sim cada vez mais radicalizava o discurso, se estendendo em enormes ensaios publicados no fim da revista como Mama's Boy (atacando a feminilização da cultura a partir dos anos 70) ou Islam, my Islam, inspirado no pós-11/9. Chegou até mesmo a provocar uma briga com Jeff Smith, a quem literalmente chamou para o pau, num ringue de boxe. Perdeu o amigo, perdeu a assistente administrativa (que depois dessa, se demitiu) e perdeu a experiente leitora-teste Diana Schultz, que não quis compactuar com esse comportamento. Cada vez mais isolado, Sim foi mergulhando em seu próprio universo, multiplicando de tal forma as vozes interiores de seus personagens a ponto de deixar o leitor intrigado com uma possível esquizofrenia. Nos últimos anos viu-se personagens como Scott Fitzgerald, Hemingway, Norman Mailer, e atualmente, Woody Allen entrarem nas histórias (o que em si não era novidade já que Oscar Wilde, Groucho Marx e Mick Jagger já tinham sido transfigurados), num mundo onde Cerebus é o único personagem não-humano. Um oricterope no meio de humanos.
Cinco pontas
Eu estava estranhando a poesia obscena da declaração, quando ela explicou. Queria transar à luz de velas, dentro de alguma coisa em forma de estrela.
- Um pentagrama, você quer dizer
? (...) Ou uma estrela de seis pontas em homenagem ao rabino? (...)
Expliquei que um dos símbolos da religião dele era a estrela formada por dois triângulos, um para cima e um para baixo (...) Enquanto, para mim, a estrela de cinco pontas (...) é mais forte porque você a desenha sem tirar o lápis do papel, num movimento único.
- Só que a estrela de cinco pontas hoje é associada à feitiçaria
(...) Fora o PT e a Texaco, neguinho tem medo de pentagrama.
(excerto de A Estratégia de Lilith)

Não sei se essa, uma das raras passagens interessantes do livro de Alex Antunes, serviu de inspiração para o Beto Santos colecionar empresas com "afinidade estrelar". Quem estiver com tempo de sobra, pode gastar algum procurando logotipos nesse banco.

11.11.02

O Estado de São Paulo contabilizou que 20 jovens "passando mal por bebida ou overdose" foram encaminhados para o Hospital das Clínicas e outros prontos-socorros da região com saldo da Parada da Paz, espécie de versão paulistana, se é que eu entendi, da Technoparade francesa. Já faz algum tempo que prometem uma dessas para o Rio, em pleno verão e na orla marítima. Veremos.

Apideite: se depender do prefeito Cesar Maia, não vai rolar nada na orla. O que não é uma má idéia.
Essa eu também não quero perder. É impressionante -- olhando esses cartazes -- notar como os desenhos do Ziraldo passaram a fazer parte do universo icônico de cada um, seja por meio do Menino Maluquinho, seja por causa daquela campanha contra o cigarro.
No livro Eu, Robô o escritor Isaac Asimov reuniu vários contos de ficção científica sobre robôs, além de cunhar o termo robótica. Um destes contos chama-se O pequeno robô fujão. Asimov faleceu em 1992, tendo visto algumas de suas extrapolações cumprirem-se, e outras não, mas tenho certeza que ficaria surpreso em ver como aquele conto se aproximou de uma situação real.

10.11.02

Para ver a banda passar
Esbarrei com o Ricky Goodwin, coincidência das coincidências, pouco antes do Mestre Ambrósio entrar no Jambalaya Jazz Festival, e ele contou no Blog0News como foi o apoteótico encerramento do show do The New Birth Brass Band, no meu entender, como toda banda -- banda aqui entendida na acepção original do termo, aquele grupinho de músicos em cima de um coreto, e não a que passou a ter depois, como em banda de rock -- deveria encerrar: ao invés de agradecer o público e sair pelos fundos, continuar tocando, descer pelo lado do palco, arrastando o povaréu teatro a fora. Como não podia deixar de ser, o fechamento foi ao som de When the Saints Go Marchin' In.
Contagem rápida no jornal indica nada menos que 7 filmes nacionais em cartaz a chamarem minha atenção, dos quais já vi 3 e pelo menos 4 acredito serem dignos de nota. Nada mal.

8.11.02

A tal da nova geração de escritores
Ao mudar de editora, Marcelo Mirisola ganhou mais espaço na imprensa (...) e já preenche fichas de hotéis com seu ofício. Eu o vi satisfeito citando Henry Miller ao colocar escritor no campo correspondente da ficha de hóspede. Disse que agora sim se considerava escritor.

Quem vai gostar de ouvir isso é a Patricia...

"Pior do que deixar filhos é deixar livros. Os filhos podem esquecê-lo e renegá-lo - a despeito de seu legado, de suas misérias. Até perdoá-lo. Os livros, não. São filhos amaldiçoados (os melhores, evidentemente) e mortos-vivos para sempre."

O resto está aqui. Mirisola tem pelo menos 3 contos na rede: Notas sobre terrorismo e punheta, Bilac não voa de asa delta e Basta um verniz para ser feliz; seu último livro foi resenhado e gerou certa repercussão na página da Bravo! Tem também uma engraçada entrevista com ele, feita pelo Hector Lima.
Chega uma hora nesse negócio de escarafunchar a internet em que parece que todo mundo já fez diário pessoal (ou journal, como se diz em inglês). Até mesmo William S. Burroughs.
"Crianças começam a fazer design ao verem adultos fazendo"
(Elesbão I, o marajá dos trocadilhos, em homenagem ao dia do designer)

7.11.02

Humor involuntário, aula 38: resenhando filmes
Endless Summer II: um documentário que acompanha dois surfistas durante sua odisséia de volta ao mundo, na procura da onda perfeita. Tema adulto. (12 anos).
[retirado de uma dessas revistas que apresenta a programação da Tv. Os grifos são meus]
Uma das coisas legais em ler blogs a esmo é que pode-se descobrir, por exemplo, como é que um pub razoavelmente infensivo (não existem pubs inofensivos) se transformou num antro guei.
O importante é contar a verdade como se fosse uma mentira
Num belo dia de sua infância, um amigo da mãe de Corto Maltese dirigiu-se a ele para ler a palma de sua mão e surpreendeu-se ao ver que ele não tinha a linha do destino. O garoto imediatamente correu para casa e, com a navalha de seu pai, cortou uma risco na palma direita: "o destino, sou eu quem faço".

E tem gente que não entende porque Corto Maltese é um dos melhores quadrinhos de todos os tempos. E tem gente que nem conhece Corto Maltese!

(o título desta nota é uma frase de Hugo Pratt, o criador de Corto Maltese)
Papel e lápis na mão!
Demorei a avisar porque tinha perdido o link: Ricky Goodwin está mandando bala no Blog0news. A primeira vez que ouvi falar no Ricky foi como curador da Bienal Internacional de Hq/91, mas ele também é ex-redator do Pasquim e um dos maiores tiradores-de-entrevista-da-fita-k7-para-papel, além de morar aqui perto, de vez em quando eu vejo ele indo para o cinema. Gosto muito da tradução que ele fez para edição da Record de Love & Rockets, e vejo que no Blog0news há dicas de bons programas na Tv a cabo, idéia que gostaria de implementar aqui...

Aproveitando a viagem: o meu amigo Bruno Garschagen também está assoviando no Vertigem, enquanto chupa cana no suplemento literário semanal homônimo (mais uma dessas e eu bato o recorde de enfileirar adjetivos num blog) da Folha do Espírito Santo. É mais quixote da cultura na terra de Rubem Braga.

6.11.02

Nunca pensei que um dia iria escrever coisas assim aqui. Mas a aleatoriedade é algo que me fascina. Alimentado com meu nome completo, o Googlism forneceu o seguinte resultado:

rafael lima is a tribal journey deep into the amazonian jungle

Intrigado e insatisfeito, realimentei o programa apenas com o meu prenome, e esses aqui foram alguns dos resultados. Ah, sim: a dica do Googlism foi da Helenice.

rafael is cooking at touchdowns
rafael is deserved condemnation and in no way it may justify its behavior
rafael is teamed with european missile conglomerate mbda
rafael is an artist that i met a couple of years ago as he began to work with my recording engineer paul dieter
rafael is also a certified coach/trainer with the united states amateur boxing federation
rafael is using mouse models to study the disproportion of abnormal skeletal muscle fiber in dmd
rafael is applauded for ingenuity
rafael is an archangel and is also the patron saint of travelers
rafael is an exciting young talent from angola
rafael is picked up at the bus terminal by john's star dance instructor
rafael is our quality engineer
(Não! Insulto não!)
rafael is aided by his brother arturo who also studied oenology at the falset school that has produced so many of the region's young winemakers
rafael is called into the nationalist army but is declared unfit for active duty
rafael is fully committed to finding solutions geared to meet the defense needs of the 21st century
rafael is a wealth of information as well as a beautiful singer
rafael is taking classes at the bowery's career center and works in the kitchen
rafael is distinguished among the painters of san pedro by the thoughtfulness that pervades all aspects of his work
rafael is verdwaald en komt in een kasteel terecht
(alguém aí fala holandês? Flamenco?)
rafael is currently 3 months pregnant
(êpa!)
rafael is the braves' tablesetter and an indispensible member of the ballclub
rafael is also one of only four players who have put up at least 35 hrs and 100 rbi in seven straight years
rafael is three time peruvian national cycling champion and understands what good cyclists expect for services
rafael is like the stairway to heaven
rafael is the past president of the latin american sex education association
(êpa êpa!)
rafael is certainly such a hustler
Já passou dos limites!!!
Mais uma vez o Sr. Salvador McNamara volta com aquela sua incomprensível arenga contra os belgas, contrapondo meus argumentos anteriores, com os seus, abaixo reproduzidos, tal como ele fez, em corpo proporcional à importância:
"... . .. ..... ... . ...
..... .. . .. .. .... .
. ..... .. .... . ... ..
.. ... ... . ..... . ..."
É claro que para poder lê-los, será preciso no mínimo de um monitor de 25" com configuração adequada para ver placa de carro em foto de satélite. Bom, isso não importa; os tempos de glória belgas não cessaram nem esmorecereceu seu ânimo criativo e disponibilidade inventiva; o senhor mesmo, sr. McNamara, reconhece a obra-prima que foi a invenção do waffle, ou melhor, do gauffre, esse, insubstituível e à prova de imitações, sejam elas neioiorquinas, sejam elas daquele povinho entojado, o francês.
É sobretudo insultuosa a afirmação de que os belgas são "turistinhas sexuais de baixa performance", dado que, segundo os últimos relatórios da ONU, é da Bélgica a maior parte do público frequentador dos red light districts holandeses, particularmente o famoso bairro de Amsterdam -- isso porque em praticamente todas as grandes cidades belgas há um logradouro assim, o que os habilita ao título de garanhões dos países baixos. Não é à toa que Victor Hugo foi morar da Groot Markt, também queria usufruir desta fama...
Também é falsa a idéia apontado por ele de que a Bélgica não existe, baseada em fatos tão absurdos como os que afirmavam que a Inglaterra não existia (W. Shakespeare), ou mesmo, para não irmos muito longe, que Salvador (Bahia) não existia...
Não temos o direito de ignorar a solene presença de tão nobre nação, cujo cosmopolitismo e agradável clima o fizeram perfeita para abrigar a capital da Comunidade Européia, palco das maiores decisões internacionais tomadas hoje. A própria fidalguia do povo belga pôde ser comprovada na última copa do mundo, pela dignidade com que sua seleção de futebol tomou uma sova da do Brasil. Por fim, declaro que não tenho nenhuma ascendência belga na minha genealogia, de modo que caracterize essa defesa como absolutamente imparcial, austera e iluminada pela lanterna de Diógenes em busca da verdade, como toda argumentação intelectual deve ser. Tenho dito.

5.11.02

Já vai tarde
Ouvi dizer que a nova estação do metrô -- Siqueira Campos, em Copacabana -- será inaugurada até o fim do atual mandato. O canteiro de obras não dá muita pinta, mas faço força para que assim seja. A gambiarra que inventaram -- um ônibus cinza, carroceria semelhante à de um trem subterrâneo, percorrendo, em meio aos outros carros, taxis e, principalmente, ônibus, o trajeto que a linha 1 algum dia terá, com ponto final na Praça General Osório (Ipanema) e duas paradas em Copacabana -- não é solução, por não ser definitiva. A comparação entre os tempos de percurso deixa claro: da Estação Arcoverde até a Saens Pena, na Tijuca (trajeto completo) são 25 minutos, exatamente o que demora o ônibus-com-cara-de-trem para cumprir o trecho correspondente a apenas duas estações em Copacabana, com tráfego normal, em que pesem as facilidades do ar-condicionado e de se comprar o bilhete já à bordo.
Ainda é o longe o dia em que o mapa do metrô carioca deixará de ser duas linhazinhas em ipsilone e se transformará numa malha suficientemente emaranhada, levando a qualquer parte da cidade, a despeito do trânsito, o viajante que não se importar em abrir mão da paisagem. Isolada essa característica claustrofóbico-subterrânea, contornável, aliás, de diversas formas, como na decoração multicolorida e no batsinal da Estação Arcoverde, o metrô torna-se a opção de transporte mais eficiente para cidades que não se pretendem a monstruosidades urbanísticas. Há quem pregue de uma vez o banimento do carro -- existe na Europa um dia dedicado ao não uso do carro --, talvez a variável principal em torno de quem as cidades se desenvolveram no século XX, tendo em vista o planejamento de cidades completamente cobertas por metrô e à pé e o absurdo completo em se utilizar petróleo como combustível; Veneza é o exemplo mais eloquente de banimento do automóvel suas ruas, mas o longo do mundo é possível encontrar cidades onde trechos reservados a pedestres (e suas variantes ciclísticas), particularmente centros históricos, crescem a olhos vistos. Curiosamente, existem duas dessas áreas no Brasil e nenhuma delas é servidas por metrô: parte do centro de Curitiba (atingido pelo Ligeirinho) e a Ilha de Paquetá (Rio de Janeiro). Seja como meio de transporte ou símbolo de consumo, o carro parece estar perdendo seu status social neste começo de século, graças ao ativismo de movimentos como o Critical Mass, a bicicleata mensal de San Francisco. Até um protocolo nesse sentido já foi assinado em Lyon. Espera-se que não tenha o mesmo fim do de Kyoto...
Retrado bem acabado do poeta de 7 faces
Felizmente o centenário do Drummond acabou não passando em branco, dentro e fora do espaço virtual. Muita gente publicou seu poema predileto, muita gente colocou foto, e eu me dei ao trabalho de atrasar a homenagem para ir com papel e lápis anotar o que considero o mais bem acabado retrato do poeta. Negócio seguinte: com a visita dos reis da Bélgica em 1920, o então presidente Eptácio Pessoa inaugurou uma rua em homenagem à Rainha Elizabeth; em certa esquina, recuou os prédios
criando um largo onde foi depositado, em 1922, um busto do Rei Alberto I, chamado rei-soldado por ter ido ao front na I Guerra.

O tempo se encarregou de enfeiar e desfigurar o largo, até que, mais de 60 anos depois, veio à baila a sugestão de se reformar o pedaço, passando a receber o nome do poeta mineiro, que morava perto dali, na Rua Conselheiro Lafayete. Em vista dessa possibilidade, eis a carta que C.D.A. enviou às autoridades responsáveis:

Rio de Janeiro, 2 de agosto de 1984

Achei excelente a idéia de se "ressucitar" a velha pracinha aqui perto de casa, onde havia o busto do Rei Alberto. É tão bom fazer reviver aspectos do Rio que o falso urbanismo veio descaracterizando ou destruindo! Não sou pessoa influente nos negócios de estado, por isso minha opinião é mero procunciamento de antigo morador do posto 6. O que me causou espanto, contudo, foi ler no Globo que a pracinha terá meu nome, resumido no de minha família. Isso não. A lei proíbe homenagem a pessoas vivas para identificação de logradouros públicos, e entendo que precisa ser respeitada. Além do mais, o lugar pertence de justiça ao Rei Alberto, muito mais herói do que este velho escriba...
Grato pela atenção, o abraço e a simpatia de Carlos Drummond de Andrade


Em 17 de agosto de 1990 foi inaugurada uma placa estampada com este texto, ao lado do busto do rei belga, e o local enfim pôde se chamar Largo do Poeta. Cada um dos quatro cantos foi decorado com um verso do Drummond, escritos nas pedras portuguesas do piso: "Toda história é remorso", "E agora, José?","Ó vida futura! Nós te criaremos" e aquele que causa muito espanto quando costumo recitar, "Vontade de cantar, mas tão absoluta que me calo, repleto".

A estátua veio para bem, mas Drummond já estava corretamente representado e homenageado na cidade.

4.11.02

E essa agora, Hiro?
Me ocorreu o seguinte, aprendendo as regras de beisebol enquanto assistia aos jogos das finais do campeonato: cada vez que o rebatedor acerta uma tacada, ele sai correndo para chegar na base seguinte, antes que a bola seja enviada de volta por aquele cara que fica com o luvão. Da mesma forma, os ocupantes do time do rebatedor que já ocupavam bases, correm para ocupar as bases seguintes: a segunda base, a terceira base, e por fim, a home -- quando se tem um home run, o equivalente a um touchdown no futebol americano, ou um gol no futebol. Assim, a base mais próxima do gol, ou do home run, é a terceira, e ao atingir a terceira base, o jogador está praticamente...na cara do gol.
Uma pequena amostra de Den, de Richard Corben.
Urrú!
(dedicado a todos os tipógrafos e tipófilos de plantão)
Desenhei uma letra assim
Sem esquadro ou nanquim
Como quem não entende nada de fonte
Mas sempre ouviu falar um monte